domingo, 7 de junio de 2020

O Mosteiro da Batalha, Aljubarrota e a promessa de D. João I




O Mosteiro da Batalha comemora a vitória portuguesa sobre Castela, na chamada Batalha de Aljubarrota que teve lugar, nas proximidades. O recentemente aclamado rei D. João I prometeu a Nossa Senhora que mandaria construir um mosteiro, caso Portugal saísse vencedor, conservando assim a sua independência.
Depois da morte do rei D. Fernando em 1383, Portugal enfrentou um problema grave na sucessao ao trono, pois tinha uma filha legítima casada com o rei de Castela D. Joao I e um filho ilegítimo chamado Joao e conhecido como o Mestre de Avis. Esta crise dinástica durou até 1385, quando Portugal corria o risco de passar ao reino de Castela com capital em Toledo. Neste sentido houve várias batalhas, sendo a terceira a Batalha de Aljubarrota.
A Batalha de Aljubarrota decorreu no dia 14 de agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e os seus aliados liderados por João I de Castela. A batalha deu-se no campo de São Jorge, na localidade de S. Jorge, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre o referido concelho e Alcobaça.
O resultado foi uma derrota definitiva dos castelhanos, o fim da crise de 1383-1385 e a consolidação de D. João I, anteriormente o mestre de Avis, no início da rebelião, como rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Avis. A aliança Luso-Britânica saiu reforçada desta batalha e seria selada um ano depois, com a assinatura do Tratado de Windsor e o casamento do rei D. João I com D. Filipa de Lencastre.
Para celebrar a vitória e agradecer o auxílio divino que acreditava ter recebido, D. João I mandou erigir o Mosteiro de Santa Maria da Vitória (conhecido como o Mosteiro da Batalha) e fundar a vila da Batalha. Esta foi a origem do nascimento de uma obra cuja construção duraria quase dois séculos e deu origem a um dos monumentos góticos mais fascinantes da Península Ibérica. Possui desde 2016 a figura de Panteão Nacional. Ele foi escolhido como uma das Sete Maravilhas de Portugal.
Neste mosteiro destacam-se: A portada, decorada com as esculturas de 78 carateres relacionados ao Antigo Testamento. A nave central, onde as colunas altas ligadas aos pilares, os vitrais e contrafortes coloridos constituem os elementos marcantes deste mosteiro onde o estilo manuelino foi usado pela primeira vez, misturando-se com o gótico tardio. A Capela do Fundador, no lado direito, onde estão localizadas as tumbas de João I e sua família, cujos filhos incluem o famoso Enrique, o Navegador. A Sala do Capítulo, praça coberta por uma abóbada de estrelas e decorada com relevos da Virgem. Os dois claustros, ambos de grande beleza. As capelas inacabadas ou imperfeitas, usadas como panteão para os sucessivos monarcas portugueses e descobertas ao ar livre, nunca foram concluídas.


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